sábado, 14 de fevereiro de 2009

Bonito de se ver:

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A TRAÇOS AÉREOS presente na Casa de Festas Infantis Peticolá - 710 norte - DF
















Circo tem palhaço, trapezista e animais

Nos últimos anos os Circos vem sendo vítimas de uma perseguição que se baseia em mentiras e preconceitos. Criaram até um slogan que à primeira vista causa impacto: “circo legal não tem animal”. Mas esta frase de efeito é uma contradição em termos, pois o espetáculo de Circo sempre teve animais. Os acrobatas da Serra da Capivara, há mais de 12.000 anos atrás já conviviam e brincavam com animais domesticados. O Circo moderno, criado em 1766 pelo sargento inglês Philipe Astley, era um espetáculo equestre a que se somavam os números dos saltimbancos dos teatros das feiras. O termo Circo de Cavalinhos, que muito se utilizou no Brasil até os anos 50 do século passado, explicitava a diferença entre o circo à moda Astley e os Circos de Touradas que herdamos dos portugueses. No século XIX era comum que cada companhia caprichasse no nome, deixando bem claro o que a distinta platéia veria: Companhia de Pantomimas Equestres, Acrobática e Zoológica Fulano de Tal era um nome grande mas que não deixava dúvidas, o público veria um espetáculo com cavalos, animais exóticos, acrobacia e palhaçada. O Brasil sempre foi um grande país circense e até hoje o Circo é o espetáculo ao vivo que atinge o maior número de espectadores e o único presente em todos os rincões deste país. Mas eis que, em nome de uma causa justa, querem, confundindo alhos com bugalhos, acabar com a tradição e a mais bela diversão. Sem nenhuma preocupação com a Verdade e com a Justiça acusam toda uma classe de crueldade e deixam famílias sem trabalho e sem seus animais, retirados à força de seus amados donos com quem, muitas vezes, convivem desde que nasceram. Animais devem ser bem tratados sempre! Tem que ser bem tratados na casa de cada ser humano que resolver ter um pet, seja gato, cachorro ou hamster. Elefantes de carga na Índia, camelos transportando caravanas nos desertos, tigres nos Hotéis de Las Vegas, ou nos parques e zoológicos públicos e privados tem que ser protegidos, bem tratados e a população tem que ter o direito de com eles conviver em segurança.

A lei brasileira protege animais de maus tratos e a jurisprudência tem sido clara em considerar que o termo se refere à alimentação, higiene e espaço adequados. Enfim o que todos nós, humanos ou não, deveríamos ter sempre: casa, comida, saúde e carinho! Os animais em circos tem tudo isso. Nem sempre é verdade. Ao longo da história vamos encontrar circos que possuem animais mas que não tem as condições adequadas para mantê-los. Podemos também encontrar pessoas incompetentes e que em algum momento não dão aos animais sob a sua responsabilidade o carinho e o tratamento adequado. Mas esse não é um privilégio do circo. Por que então essa gritaria histérica contra o circo? É preciso esclarecer que nenhum animal de circo foi retirado de seu habitat natural. Todos tem que ser registrados no IBAMA e a cada mudança de praça é preciso retirar um documento autorizando o transporte assinado por um veterinário responsável pela saúde dos animais. Mas quando alguém resolve contratar um pobre coitado para espancar um camelo, filmar a agressão e passá-la em rede nacional nada disso adianta: o mal está feito e o criminoso não é quem filmou, quem pagou, ou quem bateu, mas sim o dono do circo que não sabia de nada e da noite para o dia se transformou num “monstro cruel” recebendo ameaças e processos. A boa notícia é o que Circo Brasileiro hoje está unido em defesa da bela tradição dos animais no picadeiro. Com o apoio da Federação Internacional do Circo estamos preparando propostas para que o IBAMA possa finalmente lançar um decreto em que se determine as condições de alojamento, transporte e apresentação de cada um dos diferentes tipos de animais que se apresentam nos espetáculos circenses.
Em breve a lei do Minc será revogada. Por ela não é possível contar com a presença de um cachorrinho em cena, nem de um coelho ser tirado da cartola. A lei fere principios constitucionais legislando sobre materia que compete ao Congresso ao impedir o exercício de profissão regulamentada e desrespeita o acordo da Unesco sobre a Diversidade Cultural. Com o apoio e a fiscalização do IBAMA os circenses brasileiros poderão trabalhar sem sofrer ameaças e humilhações movidas por ódio, interesses escusos e ignorância. Circo é muito bom. Com animais saudáveis e legalizados é muito melhor.
Alice Viveiros de Castro